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De urna de lona a brindes proibidos, paranaense coleciona itens de eleições dos últimos 100 anos: 'Comecei com álbum de figurinhas de santinhos'

Paranaense coleciona relíquias eleitorais de 100 anos Lixa de unha, tábua de carne, pente de cabelo, bottom, ursinho de pelúcia, cinzeiro, caixa de fósforos...

De urna de lona a brindes proibidos, paranaense coleciona itens de eleições dos últimos 100 anos: 'Comecei com álbum de figurinhas de santinhos'
De urna de lona a brindes proibidos, paranaense coleciona itens de eleições dos últimos 100 anos: 'Comecei com álbum de figurinhas de santinhos' (Foto: Reprodução)

Paranaense coleciona relíquias eleitorais de 100 anos Lixa de unha, tábua de carne, pente de cabelo, bottom, ursinho de pelúcia, cinzeiro, caixa de fósforos, louças variadas, cadeado, iô-iô... — tudo com a personalização de candidatos às eleições e proibido por lei de ser distribuído no Brasil há 20 anos. Esses são alguns dos itens guardados em casa por Rafael Gustavo Pomim Lopes, historiador paranaense que faz coleção de itens relacionados a eleições. Entre as peças, também estão títulos de eleitor antigos, incluindo das primeiras eleições em que as mulheres puderam votar, uma urna de lona, que recebia votos impressos antes da implantação das urnas eletrônicas, e os tradicionais "santinhos", que foram o que inspiraram o morador de Jaguariaíva, cidade da região dos Campos Gerais, a preservar a história política do Brasil por meio de um acervo pessoal. ✅ Siga o canal do g1 PR no WhatsApp Paranaense coleciona itens de eleições dos últimos 100 anos Arquivo pessoal A coleção começou no ano 2000, quando ele tinha 11 anos de idade e acompanhava a movimentação de candidatos que frequentavam o bar mantido pela mãe dele. Os políticos distribuíam santinhos e Rafael foi incentivado pelo pai a criar um "álbum de figurinhas" dos papéis dos candidatos, os colando em um caderno. "Dali para frente eu tomei gosto... pela convivência com os políticos da cidade e achando aquilo interessante, porque o que me chamava a atenção era que depois que passava a eleição, aquilo ia para o lixo", contou ele, ao g1. Graduado em História, atualmente Rafael possui mais de 4 mil santinhos e centenas de outros itens das eleições dos últimos 100 anos, incluindo de algumas que não chegaram a acontecer, como a de 1965, devido ao Golpe Militar. Ele não faz distinção nem de partido, nem de tipo de eleição e nem de país; tanto é, que possui itens até mesmo de campanhas norte-americanas. Paranaense coleciona itens de eleições dos últimos 100 anos Arquivo pessoal Para conseguir as peças, ele pede a candidatos, pega com amigos e familiares e até mesmo participa de leilões on-line e faz compras pela internet. O historiador ainda integra um grupo que reúne 26 colecionadores de diferentes regiões do país que fazem trocas de itens "garimpados" nos períodos eleitorais. Para Rafael, o valor do acervo está justamente na possibilidade de manter viva uma parte da história que poderia desaparecer. “É a história do país como um todo. [...] E como eu já trabalhei em museu, a gente vai vendo a importância disso, do preservar. É tão gratificante quando você tem aquele material que literalmente conta uma história". Galerias Relacionadas LEIA TAMBÉM: Busca por recorde: Confeiteira faz bolo gigante de 2 toneladas e despeja 600 litros de calda com ajuda de guindaste De Ushuaia ao Alasca: Casal paranaense larga emprego, vende tudo e passa mais de dois anos viajando de bicicleta para cruzar a América Atrás de grades e vestidas de rosa: A história das freiras da 'adoração perpétua' que vivem enclausuradas Coleção tem peças raras e praticamente centenárias Paranaense coleciona itens de eleições dos últimos 100 anos Arquivo pessoal A coleção de Rafael Pomim tem alguns materiais antigos e raros. Um deles é um cartão de agradecimento distribuído em 1947 por Rosi Pinheiro Lima, a primeira mulher eleita deputada estadual do Paraná. O item foi adquirido recentemente em uma casa de leilões. "Eu considero um item muito raro, até porque ela foi a candidata feminina precursora, e então, assim, para mim é um xodó das eleições”, conta. Ele também possui alguns dos primeiros títulos de eleitoras mulheres do Paraná e cédulas de votação que eram distribuídas pelos candidatos já com a identificação deles nos anos 1930. Algumas das peças são autografadas, algumas são de políticos famosos, outras de políticos regionais. Para Rafael, o tamanho da candidatura não importa; o que importa, afirma ele, é preservar a história da democracia e das pessoas envolvidas nela. "Eu penso que preservar isso é um meio de dar voz a essas pessoas que um dia tentaram... Colocaram, literalmente, a cara no sol e tentaram mudar a sua realidade, seja da cidade, do estado ou do país". Vídeos mais assistidos do g1 Paraná: Leia mais notícias no g1 Paraná