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Empresa e cidade: quando um empreendimento vira transformação urbana

Um biombo feito com terra compactada está sendo integrado a um empreendimento imobiliário no Juvevê. A taipa, uma técnica construtiva milenar, reaparece nã...

Empresa e cidade: quando um empreendimento vira transformação urbana
Empresa e cidade: quando um empreendimento vira transformação urbana (Foto: Reprodução)

Um biombo feito com terra compactada está sendo integrado a um empreendimento imobiliário no Juvevê. A taipa, uma técnica construtiva milenar, reaparece não como estrutura, mas como presença visual que marca a transição entre o espaço público da rua e o ambiente privado do empreendimento. É uma escolha curiosa que levanta questão maior sobre o papel da empresa no espaço urbano que ocupa. Quando uma incorporadora decide investir em renovação urbana genuína, a ação vai além de adorno. Funciona como estratégia que qualifica o bairro e, consequentemente, agrega valor ao próprio empreendimento. Ruas mais cuidadas, espaços públicos projetados com intenção e infraestrutura pensada com propósito transformam não apenas métricas imobiliárias, mas a vida cotidiana de quem passa por ali. Imagem noturna da fachada do Tauá. Dreamis/Divulgação. Renovação além do projeto No Juvevê, a escolha da taipa no acesso do Tauá exemplifica essa dinâmica. O Tauá é um empreendimento de duas torres com 58 unidades, lançado em 2025 pela Dreamis Incorporadora. A incorporadora, que atua há cinco anos no mercado imobiliário de Curitiba com foco em projetos de alto padrão pensados para bem-estar integrado, escolheu trazer a taipa como elemento visual do projeto. Não é estrutura, mas uma obra de arte que se abre para a rua. Simboliza reconhecimento de que o bairro merecia algo além de mais um empreendimento. Mas essa não é primeira vez que a Dreamis investe em renovação urbana genuína. No Centro Cívico, a empresa revitalizou um prédio histórico do século XIX que servia como extensão do antigo cassino do Ahú. A região, que estava abandonada, tornou-se sede da empresa após a revitalização, transformando também o entorno imediato. Casa Dreamis Essas duas escolhas — a taipa no Tauá e a revitalização no Centro Cívico — revelam um padrão deliberado. Não são atos isolados de responsabilidade urbana; são sinais de que a empresa reconhece o impacto que deixa nos lugares onde atua. A taipa especificamente funciona como símbolo potente. Uma técnica que construiu cidades inteiras ressurge em um contexto contemporâneo, sinalizando que qualidade duradoura é atemporal. Da mesma forma, a revitalização da Casa Dreamis demonstra o respeito pelo entorno e pela história da região, trazendo de volta um espaço que foi ponto de encontro no bairro e que agora retorna ao seu auge. A lógica por trás das escolhas Daniel Pizzatto, sócio-fundador e diretor executivo da Dreamis, explica como essas escolhas se alinham: "Quando você atua em um bairro, a pergunta central é: o que fica para o entorno? A revitalização do prédio histórico no Centro Cívico e a escolha da taipa no Tauá respondem essa pergunta da mesma forma: contribuindo para a segurança urbana, trazendo elementos arquitetônicos e artísticos genuínos para o cotidiano do bairro. Essa é a diferença entre investimento transacional e transformação real." Essa abordagem coloca em foco uma dinâmica frequentemente negligenciada: empresas que apenas extraem valor do bairro deixam um impacto diferente daquelas que investem em transformação genuína. Quem reconhece responsabilidade urbana deixa uma marca distinta no lugar onde atua. Imagem aérea da Casa Dreamis durante a revitalização, em 2025. Juliano Rossetto. O mercado começa a reconhecer responsabilidade urbana O movimento não é isolado. Reflete uma tendência maior onde qualidade deixou de ser sinônimo de isolamento de classe. Empreendimentos que beneficiam o entorno ganham reconhecimento de mercado, valorizam-se melhor, atraem compradores que reconhecem responsabilidade urbana.