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Falso médico da Otan e promessa de casamento: como age grupo que lucrou R$ 60 mil chantageando paranaense com fotos íntimas

Organização criminosa movimenta quase R$ 4 milhões com golpe de extorsão na internet Os golpistas que conseguiram mais de R$ 4 milhões usando fotos íntima...

Falso médico da Otan e promessa de casamento: como age grupo que lucrou R$ 60 mil chantageando paranaense com fotos íntimas
Falso médico da Otan e promessa de casamento: como age grupo que lucrou R$ 60 mil chantageando paranaense com fotos íntimas (Foto: Reprodução)

Organização criminosa movimenta quase R$ 4 milhões com golpe de extorsão na internet Os golpistas que conseguiram mais de R$ 4 milhões usando fotos íntimas para chantagear vítimas se apresentaram à uma paranaense de Palmas, cidade de 50 mil habitantes do sul do estado, como "David Green”. O administrador do perfil falso disse que era um médico da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). O contato foi feito por meio das redes sociais, onde os criminosos buscaram criar um relacionamento virtual com a vítima para fazê-la confiar neles. No entanto, a história terminou com um prejuízo de R$ 60 mil para a mulher. ✅ Siga o g1 Paraná no WhatsApp A história levou a polícia a descobrir que pelo menos outras 20 vítimas, de diversos estados, também caíram no golpe. As investigações apontaram que os autores fazem parte de uma organização criminosa estruturada formada por brasileiros e estrangeiros. O grupo foi alvo de uma operação da Polícia Civil do Paraná (PC-PR) nesta quinta-feira (21). "O criminoso utilizava fotos de terceiro — já mapeadas como recorrentes em golpes internacionais — e se apresentava falsamente como um médico oncologista em missão de paz da Otan na Síria. Durante o processo de manipulação emocional, o autor prometia casamento e conquistou a confiança da vítima, a induzindo ao compartilhamento de fotos e vídeos íntimos", explica a corporação. Operação foi realizada nesta quinta (21) Polícia Civil O delegado Kelvin Bressan, do Núcleo de Investigações Qualificadas da Divisão Policial do Interior da PC-PR, explica que, posteriormente, o golpista passou a solicitar valores sob diversos pretextos, incluindo supostas despesas com passagens aéreas, detenções e multas relacionadas ao transporte de ouro na Áustria e no Brasil. "Após a vítima demonstrar desconfiança e relatar dificuldades financeiras, o investigado passou a praticar extorsão na modalidade sextortion, ameaçando divulgar o material íntimo em redes sociais caso não recebesse novos pagamentos, exigindo a quantia de R$ 20 mil. Ao todo, a vítima teve um prejuízo de mais de R$ 60 mil". As investigações apontam que, em apenas dois meses, os criminosos movimentaram quase R$ 4 milhões com as chantagens. A polícia apurou que o crime começou a ser praticado em 2024, com a vítimas de Palmas. Foi ela que motivou o início das investigações no estado — que, por sua vez, culminaram na operação desta quinta (21). Leia também: Flagrante: Casal tenta 'disfarçar' duas toneladas de maconha com milho R$ 101 mil de multas: Três fazendeiros são autuados por destruir florestas nativas Salvo por guardas: Paranaense que já salvou pessoas de engasgo sofre asfixia Operação policial Na operação desta quinta-feira (21), foram cumpridos cinco mandados de prisão e cinco de busca domiciliar em Santa Maria de Jetibá (ES), Jandaia (GO), São Luís (MA), Ielmo Marinho (RN) e João Pessoa (PB). Os nomes dos cinco detidos não foram divulgados. A ação contou com o apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça e Segurança Pública (CIBERLAB/MJSP) e com a colaboração de inteligência e operacional das polícias civis do Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Paraíba e Rio Grande do Norte. Entre os crimes investigados estão extorsão majorada, organização criminosa transnacional e lavagem de dinheiro por meio de criptoativos, cujas penas podem superar 20 anos de prisão. Segundo a polícia, a operação desta quinta teve como objetivos identificar os demais integrantes da rede criminosa, delimitar a extensão total dos golpes aplicados e buscar a reparação dos danos causados. Operação foi realizada nesta quinta (21) Cedida pela Polícia Civil ➡️ Organização criminosa estruturada A investigação da PC-PR identificou uma divisão estruturada de tarefas na organização criminosa. O núcleo estrangeiro, de caráter operacional, utilizava terminal telefônico com DDI da Nigéria (+234). Este núcleo era responsável pela abordagem, sedução e posterior extorsão. "A nível nacional, o núcleo era voltado à lavagem de dinheiro, sendo composto por operadores financeiros responsáveis por ceder contas bancárias para o recebimento, ocultação e dissimulação dos valores ilícitos mediante conversão em criptoativos”, complementa o delegado. A apuração identificou que, em dois meses, foram movimentados quase R$ 4 milhões. Algumas das contas figuram como beneficiárias em múltiplos boletins de ocorrência registrados em diversos estados da federação. Os dados bancários permitem estimar ao menos vinte vítimas do mesmo esquema criminoso, localizadas em diversos Estados. ➡️Proteção das mulheres contra a violência na internet O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou nesta quarta-feira (20) dois decretos que criam novas regras para a atuação das redes sociais, as chamadas big techs, no Brasil. Um deles atualiza a regulamentação do Marco Civil da Internet, que estabelece direitos e deveres para o uso da internet no Brasil. O outro novo decreto traz medidas para a proteção das mulheres contra a violência na internet. Os principais pontos são: as plataformas devem criar um canal específico para denúncias de nudez (seja de imagens verdadeiras ou de imagens falsas, geradas por Inteligência Artificial contra pessoas reais). Nesses casos, o conteúdo de nudez deve ser removido em até 2 horas após a notificação feita pela vítima ou por seu representante; o algoritmo deve ser programado para reduzir o alcance de ataques coordenados contra mulheres — como os que costumam atingir mulheres jornalistas atacadas por causa de seu trabalho, por exemplo; as companhias ficam proibidas de disponibilizar ferramentas de IA que permitam a criação de "nudes" falsos — como as que alteram fotos reais "retirando" a roupa de mulheres; dentro do canal de denúncia para as mulheres, as empresas devem divulgar a informação de que as vítimas também devem ligar para o 180, o canal de denúncias oficial do governo. Vídeos mais assistidos do g1 Paraná: Leia mais notícias no g1 Paraná.