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Morte de piloto após banho de óleo no Paraná: o que se sabe e o que falta esclarecer sobre o caso

Aluno de escola de aviação morre após ter reação alérgica em comemoração com ritual A Polícia Civil do Paraná (PC-PR) está investigando o caso de Gus...

Morte de piloto após banho de óleo no Paraná: o que se sabe e o que falta esclarecer sobre o caso
Morte de piloto após banho de óleo no Paraná: o que se sabe e o que falta esclarecer sobre o caso (Foto: Reprodução)

Aluno de escola de aviação morre após ter reação alérgica em comemoração com ritual A Polícia Civil do Paraná (PC-PR) está investigando o caso de Gustavo Henrique Lara, engenheiro que morreu após passar por um banho de óleo como comemoração ao seu primeiro voo solo como piloto. A cerimônia marca uma etapa de formação em escolas de aviação e envolve um óleo usado no motor de aeronaves. A equipe médica que socorreu o engenheiro afirmou que ele teve uma reação alérgica grave e uma crise convulsiva seguida de três paradas cardiorrespiratórias; as duas primeiras foram revertidas, mas ele não resistiu à terceira. ✅ Siga o g1 Ponta Grossa no WhatsApp O caso aconteceu na quinta-feira (16) em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná. Nesta segunda (20) o delegado Lucas Petry, responsável pela investigação, disse que o legista designado à análise do caso adiantou a ele que a causa da morte foi asfixia mecânica por edema de via aérea após exposição química — ou seja, asfixia causada por um inchaço na garganta devido à reação alérgica. Quem jogou o óleo no corpo do rapaz foi um instrutor de voo. Ele foi preso em flagrante pelo crime de homicídio culposo (quando não há a intenção de matar), foi liberado após pagar fiança de R$ 3 mil e responde ao inquérito em liberdade. O nome dele não foi divulgado. Veja, abaixo, o que se sabe e o que falta esclarecer sobre o caso: O que é ritual do banho de óleo O que aconteceu no Paraná O que a polícia fez após o ocorrido Quem é a vítima O que diz a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) O que diz a escola de aviação da vítima O que falta esclarecer [INFOGRÁFICO] Aluno de escola de aviação morre após ritual de 'banho de óleo' no Paraná g1 1. O que é ritual do banho de óleo O chamado "banho de óleo" é um ritual tradicional realizado em diversas escolas de aviação no Brasil para celebrar marcos importantes na formação de pilotos. A prática é mais conhecida após o primeiro voo solo, quando o estudante decola e pousa sozinho pela primeira vez, como foi o caso de Gustavo, mas também pode ocorrer em outras etapas da formação. A tradição funciona como um "batismo" na carreira de piloto. Após atingir o marco considerado importante, o aluno recebe um banho com óleo de motor de aeronave, normalmente aplicado por instrutores ou colegas, como forma de comemorar a conquista. Entenda o que é o 'banho de óleo', ritual em escolas de aviação que ocorreu antes de morte de aluno no Paraná Nas redes sociais há vários registros do costume de dar 'banho de óleo' em novos pilotos de avião Reprodução / TikTok Casio.Lucy / YouTube Mamãe Piloto / Instagram Micaely The Pilot 2. O que aconteceu no Paraná Amigos e familiares de Gustavo participaram da cerimônia a convite do próprio engenheiro. À polícia, um dos presentes relatou que, após o banho de óleo, Gustavo começou a passar mal e a ficar zonzo, e que os próprios familiares tentaram socorrê-lo. "Nisso que a gente viu que começou a ficar sério, colocamos ele no chão. Ele estava com muita dificuldade de respirar. Daí a gente foi pra cima, tentar fazer alguma coisa, começou a gritar pra chamar o Samu, pra chamar o apoio ali do pessoal do helicóptero também que tinha ali do lado", relatou uma testemunha, em depoimento. No final da fala, a testemunha se refere à equipe aeromédica do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) que tem uma base no aeroporto de Ponta Grossa, onde aconteceu o caso. Gustavo foi atendido pelo Samu ainda no local e levado a um hospital. Segundo os socorristas, após ter o óleo jogado em seu corpo, ele sofreu uma reação anafilática — a forma mais grave e rápida de uma reação alérgica. Família filmou primeiro voo solo do aluno, realizado pouco antes do ritual Cedidas pela família 3. O que a polícia fez após o ocorrido Segundo a Polícia Civil, quem jogou o óleo no corpo do engenheiro foi um instrutor da escola de aviação, que não teve o nome divulgado. Ele se apresentou espontaneamente na delegacia e, de acordo com o delegado Lucas Petry, chegou em estado de choque. O instrutor foi preso em flagrante por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Ele foi ouvido e liberado após pagar fiança de R$ 3 mil. Conforme a polícia, ele confirmou ter jogado a substância no jovem durante a comemoração e disse que o banho nos formados é feito do pescoço para baixo. A família de Gustavo não quis dar entrevista, mas informou que trata o caso como uma fatalidade, pois os dois eram amigos. A Polícia Civil informou que "não foram identificados elementos que indiquem intenção de provocar a morte da vítima". 4. Quem é a vítima Gustavo Henrique Lara tinha 27 anos e era engenheiro eletricista especializado em manutenção de equipamentos hospitalares. Ele morava em Ponta Grossa e deixou a mãe, um irmão e uma irmã, moradores de Ipiranga, cidade a 55 quilômetros de distância. Engenheiro, sonhador e com 'coração gigante': Quem era piloto que morreu após ritual de banho de óleo no Paraná Segundo pessoas próximas ao engenheiro, ele tinha o sonho de se tornar piloto de aeronaves. O rapaz passou 8 anos se preparando para ser piloto e, horas antes de morrer, fez uma postagem nas redes sociais celebrando que faria o seu primeiro voo solo. "Pode ser que hoje seja o melhor dia de toda a minha formação de piloto até aqui", escreveu ele em uma foto do avião. Gustavo foi sepultado no sábado (18), em Ipiranga. Aluno de escola de aviação que morreu após ritual de banho de óleo no PR sonhava em ser piloto e fez post horas antes de morrer Reprodução/Redes Sociais 5. O que diz a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) se manifestou sobre o caso. Em nota enviada ao g1, o órgão lamentou o falecimento, fez um alerta e disse que é essencial "repensar ritos de celebrações". Veja: "A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) lamenta profundamente o falecimento do aspirante a piloto Gustavo Henrique Lara, ocorrido após um ritual comemorativo realizado em uma escola de aviação, na cidade de Ponta Grossa (PR), na última quinta-feira (16). A Agência se solidariza com familiares, amigos e a todos que conviviam com o jovem. A Anac alerta que produtos químicos aeronáuticos, como óleos e lubrificantes de aviação, não devem, em hipótese alguma, ter contato com a pele, conforme orientam os rótulos desses materiais. O uso desses produtos durante rituais de celebração traz riscos à saúde das pessoas, podendo inclusive levar a óbito. A Agência reitera a escolas de aviação, aeroclubes e demais organizações de instrução que, na aviação, a segurança vem sempre em primeiro lugar. Por isso, é essencial repensar ritos de celebrações de conclusão de etapas da formação e garantir que qualquer manifestação seja conduzida de forma responsável, sem expor alunos, instrutores ou terceiros a risco. A Anac acompanha o caso e reforça sua confiança nas autoridades responsáveis pela apuração dos fatos". 6. O que diz a escola de aviação da vítima Em nota divulgada nas redes sociais, o Centro de Instrução de Aviação Civil (CIAC) do Aeroclube de Ponta Grossa manifestou pesar pelo falecimento do aluno e disse que não fará comentários adicionais sobre o ocorrido até que as investigações sejam concluídas. Veja: "O Centro de Instrução de Aviação Civil (CIAC) de Ponta Grossa manifesta seu mais profundo pesar pelo falecimento do piloto Gustavo Henrique de Lara, ocorrido após a realização de seu voo solo. Esclarecemos que o lamentável fato ocorreu fora da área do CIAC, logo após o encerramento da atividade de voo. Neste momento de imensa tristeza, expressamos nossa solidariedade e nossos mais sinceros sentimentos aos familiares, amigos e a todos que conviviam com o Gustavo Lara, desejando força e serenidade para enfrentar esta irreparável perda. O CIAC de Ponta Grossa permanece à inteira disposição das autoridades competentes para colaborar com todos os esclarecimentos que se fizerem necessários, bem como para prestar o apoio cabível aos familiares, dentro de suas possibilidades. Em respeito à memória do aluno, à sua família e ao trabalho das autoridades responsáveis pela apuração dos fatos, o CIAC não fará comentários adicionais sobre o ocorrido até que as investigações sejam concluídas." 7. O que falta esclarecer Gustavo Henrique Lara, de 27 anos, era engenheiro Reprodução A Polícia Civil continua investigando o caso. O delegado Lucas Petry afirma que ainda vai conversar com mais familiares, instrutores de voo e com o dono do aeroclube, e verificar se alguma das testemunhas possui imagens do momento do banho de óleo, por exemplo. A equipe de investigação ainda apura as circunstâncias do caso, incluindo qual era a composição do óleo, a quantidade usada e se ele estava em condições normais — o que deve constar no laudo sobre a substância, que ainda está em análise — e se o óleo foi o único responsável por causar a alergia no piloto. O delegado quer descartar se, por exemplo, Gustavo não ingeriu alguma coisa anteriormente que tenha potencializado a reação alérgica. Vídeos mais assistidos do g1 Paraná: Leia mais notícias no g1 Paraná