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No céu das lavouras: drones transformam o agro do Oeste do Paraná

É um pássaro? É um avião? Nada disso. O que corta o céu das lavouras do Oeste do Paraná é o DJI T50, um drone com 2,8 metros de largura e mais de 3 metro...

No céu das lavouras: drones transformam o agro do Oeste do Paraná
No céu das lavouras: drones transformam o agro do Oeste do Paraná (Foto: Reprodução)

É um pássaro? É um avião? Nada disso. O que corta o céu das lavouras do Oeste do Paraná é o DJI T50, um drone com 2,8 metros de largura e mais de 3 metros de comprimento quando totalmente aberto. O tamanho impressiona. O DJI T50 pode alcançar 100 metros de altitude. Em aplicações agrícolas típicas, ele costuma sobrevoar a lavoura a 4 metros do solo. Essas aeronaves, que há pouco tempo pareciam coisa de filme futurista, hoje fazem parte da rotina de muitos produtores. A pulverização aérea de precisão já é realidade, e empresas como a Soy Drone, de Santa Tereza do Oeste (PR), mostram que a tecnologia pode ser eficiente, econômica, sustentável e, acima de tudo, acessível. “O produtor ainda tem certo receio da aplicação com drone, por não ter conhecimento sobre os benefícios ou por terem vivenciado experiências negativas com empresas sem qualificação”, conta Danimar Luís Unser, engenheiro agrônomo e sócio da Soy Drone. “Mas quando ele vê a agilidade, a uniformidade da aplicação e o quanto economiza, muda de ideia na hora.” O DJI T50, modelo utilizado pela empresa, é capaz de pulverizar 20 hectares por hora, com economia de até 90% de água em relação aos métodos convencionais. Segundo Danimar, a aplicação é mais uniforme e evita o amassamento das plantas, o que pode aumentar a lucratividade entre 5% e 7%. Drones atuais trazem tecnologia embarcada, como radares mais inteligentes, câmeras modernizadas, aumento na capacidade de carga e sistemas de pulverização e dispersão de sólidos. Divulgação/Eduardo Joaquim. “A pulverização com drones permite alcançar locais onde o trator não chega, sem compactar o solo, com mais precisão e com maior controle sobre o produto aplicado”, explica o engenheiro agrônomo. Além da economia de recursos, o uso dessa ferramenta traz um ganho ambiental e social importante. “Com a menor utilização de água e defensivos agrícolas, o impacto ambiental é reduzido. A tecnologia de aplicação veio para somar na agricultura, tornando o uso mais racional e sustentável”, destaca Danimar. Danimar mostra o porte que chama atenção no campo. O drone tem quase a envergadura de um carro e é operado por controle remoto com precisão. Divulgação/Francisco Salesio Schmitt. Outro ponto que salienta o uso dos drones é a segurança no trabalho. Com menos pessoas envolvidas na operação e equipamentos adequados para o preparo da calda, que é a mistura líquida usada na pulverização de lavouras, a exposição a produtos químicos é muito menor, reduzindo riscos e tornando o processo mais seguro. Manutenção que prolonga o voo: simples, cuidadosa e mais barata Os drones agrícolas são projetados para resistir à poeira, à umidade e ao contato com defensivos, mas por trás de cada voo há uma rotina rigorosa de cuidados. Por ser uma aeronave não tripulada, qualquer falha, seja na bateria, no motor, na hélice ou nos sensores, pode comprometer toda a operação. Por isso, é essencial manter um acompanhamento rigoroso de cada item, garantindo segurança, desempenho e confiabilidade no campo. “A cada nova versão, os equipamentos estão mais confiáveis, com sensores modernos e componentes resistentes. Ainda assim, o segredo está na manutenção preventiva: checar folgas nos motores, limpar sensores e inspecionar hélices antes de cada voo”, explica Douglas Batista, técnico especializado em drones agrícolas. Limpar o drone após a aplicação é um cuidado que faz a diferença para aumentar a vida útil do equipamento. Divulgação/Douglas Batista. Esses cuidados antes e depois do voo, por parte dos operadores, são imprescindíveis para uma boa durabilidade do equipamento. Eduardo Joaquim, de 20 anos, é operador de drones há dois anos. Para ele, o principal desafio na prática é a autonomia da bateria antes de um carregamento: “É pouca. Dura aproximadamente de cinco a oito minutos em pulverização. O clima interfere bastante, quando tem muito vento ou muito sol não tem aplicação.” As baterias são um ponto de atenção, uma vez que sua durabilidade está ligada aos cuidados do operador. É importante seguir as recomendações do fabricante, evitando mau uso, já que, quando bem manuseadas, podem alcançar cinco anos de longevidade. “A bateria pode durar esse tempo, desde que seja carregada e armazenada de forma correta. Temos exemplos práticos de clientes que operam drones como o MG-1P há cerca de cinco anos e continuam com a máquina em perfeito funcionamento. É um equipamento que recompensa quem tem zelo”, explica Douglas. Outro diferencial é o baixo custo de manutenção. De acordo com o especialista, cuidar de um drone pode ser até cinco vezes mais barato do que manter uma máquina autopropelida, como tratores, sendo uma alternativa mais acessível aos produtores. A pulverização com drones exige preparo. Antes, é preciso solicitar autorização de voo, mapear a área, conferir o receituário agronômico e ajustar a vazão conforme as condições do clima. Mesmo assim, o processo tende a se tornar cada vez mais ágil. Hoje já há drones que, além da pulverização, realizam mapeamento, semeadura e dispersão de fertilizantes, um novo passo para integrar mais funções em uma mesma ferramenta. Os drones agrícolas realizam voos planejados e seguros e se tornam aliados do produtor no campo. Divulgação/Douglas Batista. O futuro já pousou no Oeste A pulverização com drones está mais próxima da realidade do produtor do que muita gente imagina e tem transformado não apenas a lavoura, mas a relação com o trabalho no campo. Eduardo compartilha que procurou entender mais de drones quando o assunto começou a repercutir. “É o futuro, algo que cresce cada dia mais. Para pilotar é exigido o curso CAAR (Curso de Aplicação Aeroagrícola Remota), não é muito acessível, em torno de cinco a sete mil reais.” Danimar, por sua vez, vislumbra um futuro com garantia de mais sustentabilidade, sistemas inteligentes e tecnologias que impulsionarão cada vez mais a evolução dos drones. “O que mais nos orgulha é poder oferecer um serviço sustentável e de qualidade, com resultados que o produtor enxerga na lavoura. É ver a tecnologia ajudando de verdade quem produz”, resume o empresário. No céu do Oeste, as hélices giram e espalham mais do que defensivos: espalham o sinal claro de que o futuro da agricultura já chegou e de que ele voa alto. O pôr do sol sobre a lavoura marca o fim de um dia de trabalho e o início de um novo tempo para a agricultura, que agora também voa. Divulgação/Francisco Salesio Schmitt. Texto produzido por Kariny Camilo, Leonardo Pelegrini Moura e Thabata François, acadêmicos do curso de Jornalismo do Centro Universitário FAG, sob orientação da professora Julliane Brita, para a 24ª edição da Revista Verbo, veiculada na 5ª edição do City Farm FAG.