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O que são os crus dos vinhos?

Existe uma palavra no mundo dos vinhos que identifica rótulos especiais, mas que poucos conhecem: cru. Do francês “crescido”, no sentido de cultivado/prod...

O que são os crus dos vinhos?
O que são os crus dos vinhos? (Foto: Reprodução)

Existe uma palavra no mundo dos vinhos que identifica rótulos especiais, mas que poucos conhecem: cru. Do francês “crescido”, no sentido de cultivado/produzido, esse termo pode identificar uma área específica de produção, um vinhedo ou apenas uma parcela de vinha com características especiais. Por isso, ao tomar um vinho francês você pode escutar que aquele rótulo é um “cru de Borgonha” ou um “cru de Bordeaux” ou ainda um “cru de Champagne”. Na região italiana do Piemonte, é possível se referir aos “crus de Barolo” para identificar um vinho produzido em determinado território. Veja a seguir como os crus se popularizaram nas principais regiões vitivinícolas do mundo. Borgonha, França Moillard: O terroir de Corton é um Grand Cru de Borgonha. Divulgação. Com a Revolução de 1789, os vinhedos que até então eram praticamente um monopólio da Igreja foram submetidos a uma ampla reforma agrária: as áreas foram confiscadas e redistribuídas a pequenos produtores para permitir o sustento de mais cultivadores. Quando, em 1804, o Código Napoleônico entrou em vigor, a lei de herança foi modificada permitindo que vinhedos e outros dotes fossem distribuídos igualmente para os herdeiros, independente do gênero ou idade, desde que não tivessem ligações diretas com a corte ou a Igreja. Isso explica por que os vinhedos da Borgonha são uma grande “colcha de retalhos”. Alguns desses vinhedos possuem características, como altitude, exposição solar e solo que os tornam diferentes dos outros. Por isso são considerados crus. Alguns crus estão nas mãos de dezenas de viticultores, cada um com parcelas tão pequenas que precisam se juntar para produzir quantidades comercialmente viáveis de vinho. O nível mais alto de classificação dos vinhos da Borgonha é chamado de Grand Cru. Existem 33 denominações Grand Cru nesta região que representam o topo da pirâmide de qualidade (apenas cerca de 2% da produção total). Estas denominações, focadas majoritariamente nos tintos da Côte de Nuits e brancos/tintos da Côte de Beaune e Chablis, representam vinhedos de terroir excepcional. Abaixo do Grand Cru, tem a classificação Premier Cru que representa cerca de 10% da produção total da Borgonha, com 684 climats. Um exemplo de Grand Cru de Borgonha é o Moillard Corton Grand Cru Les Grandes Lolières, tinto produzido com uvas Pinot Noir de uma parcela chamada Les Grandes Lolières. É um grande rótulo com 20 meses de amadurecimento em barrica francesa e que mostra toda a tipicidade dessa região. Bordeaux, França Château du Tertre: Château du Tertre é um cru de Bordeaux desde 1855. Divulgação/Château du Tertre. Os crus começaram a serem oficializados em 1855 quando, sob Napoleão III, as vinícolas de Bordeaux passaram a serem classificadas pela qualidade e tradição na produção de seus vinhos. Naquela época, os vinhos bordaleses já eram famosos na Europa inteira havia pelo menos 150 anos. A classificação das vinícolas mais prestigiadas prevê cinco níveis, sendo Premier Grand Cru Classé o mais elevado, que é atribuído a apenas cinco vinícolas. Ao todo, somente 61 produtores entram nessa classificação. Os níveis abaixo são Deuxièmes, Troisièmes, Quatrièmes e Cinquièmes. O sistema classificatório é tão rígido que, desde então, apenas uma vinícola conseguiu galgar um degrau. De resto, tudo permanece igual aos tempos napoleônicos. Um autêntico cru do terroir de Margaux, o Château du Tertre 2016 é uma verdadeira aula de assemblage, no qual cada uva desempenha um papel especial. A Cabernet Sauvignon define a espinha dorsal do vinho, garantindo frescor e potencial de guarda, enquanto a Merlot aporta amplitude e maciez. A Cabernet Franc traz vivacidade, e a Petit Verdot acrescenta estrutura e profundidade, conduzindo a um final persistente e sofisticado. Champagne Mandois, uma das vinícolas mais prestigiadas de Champagne. Divulgação. Em Champagne, o termo cru se refere à denominação de municípios e não de vinhedos individuais. Portanto, estamos falando de porções de territórios mais amplas do que na Borgonha. Mas a classificação é a mesma da Borgonha: no topo estão os Champagnes Grand Cru, que são uma fração minúscula da produção, e os Champagnes Premier Cru, que representam mais de 90% da produção. O Mandois Blanc de Blancs Premier Cru é um champagne de altíssima qualidade elaborado 100% com a uva Chardonnay e que revela todo o terroir. Com no mínimo 4 anos de amadurecimento sur lie, é elegante e refinado, com notas de panificação, de umami e salinas. Conheça Cannubi e Cerequio CANNUBI: Terroir especial de Barolo, Cannubi é talvez a colina mais famosa da Itália. Divulgação/Michele Chiarlo. No Piemonte é produzido um dos vinhos tintos mais icônicos da Itália: o Barolo. Mas os Barolos não são todos iguais. O Barolo pode ser produzido em 11 sub-regiões de Langhe, mas alguns nascem de terroirs especiais, os crus, vinhedos específicos ou microáreas de excelência daquele território. Nesses casos, o cru é indicado no rótulo. A palavra cru é usada de maneira informal no Piemonte, pois a região elaborou seu próprio sistema de classificação dos vinhedos pela sigla MGA, que significa Menzioni Geografiche Aggiuntive ou Menções Geográficas Adicionais. Quando uma parcela de território é identificada com uma MGA quer dizer que se distingue das demais pela qualidade de suas uvas. De fato, é um cru. Um desses crus é o Cannubi, talvez a colina mais famosa da Itália, onde é localizado o vinhedo mais célebre e prestigiado da denominação Barolo. Historicamente, é o cru mais antigo da Itália, reconhecido desde 1752. Aqui, tudo é perfeito: altitude, exposição solar, solo, localização e microclima fazem deste Barolo o ápice da denominação. O Michele Chiarlo Barolo DOCG Cannubi vem do vinhedo mais prestigiado de Barolo, revelando aromas típicos de bosque, como mirtilo e cassis, até as notas terrosas e de tabaco. No paladar, surpreende pela estrutura, com taninos presentes, porém sedosos, excelente acidez, e uma profundidade que se desdobra em camadas. Amadureceu 3 anos, sendo no mínimo 24 meses em barrica. Cerequio é outro cru considerado uma das mais prestigiadas regiões vinícolas de Barolo. Nesse vinhedo situado entre os municípios de La Morra e Barolo, a exposição solar e o microclima se combinam para criar Barolos excepcionais. Desde 1880 é considerada "uma posição muito selecionada". CEREQUIO: Cerequio é um dos terroirs mais nobres de Barolo. Divulgação/Michele Chiarlo. Aqui nasce o Michele Chiarlo Barolo DOCG Cerequio, um vinho expressivo e elegante, com aromas profundos a cereja preta, cassis, menta e couro, com paladar estruturado, sedoso, persistente e envolvente. Estagia no mínimo 3 anos, sendo 24 meses em barricas de carvalho. Conheça os vinhos de crus da Porto a Porto Há mais de 25 anos, a Porto a Porto importa e distribui vinhos das principais regiões produtoras do mundo. Sempre atenta às novidades do mercado, possui uma equipe comercial ramificada e competente, além de um sistema logístico nacional extremamente eficiente. Com sede em Curitiba e filiais em Porto Alegre, Brasília, Salvador e Recife, ao longo das décadas aperfeiçoamos nosso know-how de atendimento para os segmentos on trade e off trade. Acesse nossa plataforma B2B e conheça nosso portfólio! BEBA MENOS, BEBA MELHOR.