Profissionais da educação de Curitiba suspendem greve após acordo com prefeitura e aulas retornam nesta quinta (9)
Profissionais da educação municipal iniciam greve em Curitiba Reprodução/RPC Os profissionais da rede municipal de educação de Curitiba suspenderam na noi...
Profissionais da educação municipal iniciam greve em Curitiba Reprodução/RPC Os profissionais da rede municipal de educação de Curitiba suspenderam na noite desta quarta-feira (8) a greve iniciada pela manhã. A decisão foi tomada após assembleia do Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Curitiba (Sismmac) e do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Curitiba (Sismuc). As aulas serão retomadas normalmente nesta quinta-feira (9). Algumas escolas e Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) tiveram as aulas suspensas. Segundo o Sismuc, 216 CMEIs aderiram à paralisação. Já o secretário municipal de educação, Paulo Schmidt, afirmou que cerca de 95% das unidades atenderam os alunos, apesar da paralisação. ✅ Siga o g1 PR no WhatsApp Segundo as lideranças sindicais, a suspensão da greve foi definida após reunião com a prefeitura de Curitiba durante a tarde, no Palácio 29 de Março, sede do Executivo municipal. A coordenadora-geral do Sismuc, Juliana Mildemberg, destacou que a paralisação pode ser retomada caso as medidas acordadas com a prefeitura não sejam tomadas. "A categoria definiu por suspender a greve, não encerrar a greve, e voltar a qualquer tempo se a prefeitura não cumprir com qualquer um dos pontos negociados em mesa hoje, que foram assumidos como compromissos pela gestão municipal", disse. O g1 perguntou para a prefeitura quais foram os pontos acordados durante a reunião, mas não teve retorno. Segundo o Sismac e o Sismuc, os pontos acordados são: Carreira (crescimento vertical e horizontal): Houve aumento nos percentuais de progressão na carreira e garantia de que cerca de metade dos inscritos será contemplada neste ciclo. Também foi definido calendário para implementação dos avanços e assegurado o enquadramento direto em níveis mais altos para quem tem mestrado ou doutorado. Já o crescimento horizontal terá edital em setembro, com pagamento no ano seguinte. Vale-alimentação: A categoria passará a ter vale-alimentação, proporcional à jornada e sem teto. Concursos e reposição de quadros: A Prefeitura prometeu zerar o banco de concursos vigente e abrir novos concursos para recompor o quadro de profissionais. Confisco das aposentadorias: Está em estudo ampliar a faixa de isenção do desconto de 14% nas aposentadorias, passando de dois para três salários mínimos. Educação inclusiva e profissionais de apoio: Foi assumido o compromisso de substituir estagiários por profissionais efetivos e criar um plano na área. Abono do dia de greve: O dia parado será abonado, desde que seja reposto até 25 de abril, sem prejuízo financeiro. Melhoria nas estruturas: A Prefeitura informou que há obras em andamento e ações para resolver problemas como ar-condicionado e equipamentos. Descongela: Os dias congelados na pandemia voltarão a contar para benefícios como quinquênios e licenças, com efeito retroativo. Negociação contínua: Ficou mantida uma mesa permanente de negociação para acompanhar e avançar nas pautas. Profissionais da educação iniciam greve em Curitiba A Prefeitura de Curitiba anunciou após a reunião com os sindicatos que o percentual de beneficiados no crescimento vertical (iniciativa que prevê aumento salarial para os profissionais que investirem em especialização e formação profissional) foi elevado. Segundo a prefeitura, essa medida vai beneficiar mais da metade dos inscritos na iniciativa. A rede municipal de educação tem 11.540 servidores. Desses, 6.576 se inscreveram para o crescimento vertical. A prefeitura diz que a regra atual prevê avanço de até 20% do total da rede, mas afirma que ampliou a proposta para 30% do total. Além disso, na proposta apresentada, também houve melhoria nos percentuais de crescimento: 30% de avanço no nível 1 e 25% de avanço nos níveis 2 e 3, com implantação em setembro deste ano. Diana Abreu, presidente do Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Curitiba (Sismmac) comentou a suspensão da greve. "Nós avaliamos o dia de hoje como um dia positivo, fizemos uma grande passeata no centro de Curitiba com uma adesão incrível das escolas no movimento de greve. A prefeitura reconhece isso a medida que negocia e nós temos ali algumas questões importantes que foram pactuadas", afirma. No início da manhã, os profissionais se concentraram na Praça 19 de Dezembro, no Centro da capital, e partiram em caminhada em direção à prefeitura. Os profissionais da educação estavam em estado de greve desde novembro de 2025 "Nós seguiremos mobilizados cobrando que essas propostas se efetivem, mas neste momento, então, as escolas retornam a funcionar normalmente. Mas a gente seguirá sempre lutando para que o trabalho que se faça na escola seja de qualidade para as crianças e seja também de qualidade para o professor que está lá trabalhando e que esse professor seja valorizado", afirma a presidente do Sismmac. Decisão da Justiça determinou multa para os grevistas O Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) considerou ilegal a paralisação. Em uma decisão liminar, o desembargador Ramon de Medeiros Nogueira disse que a greve é "abusiva" e estabeleceu multa diária de R$ 100 mil ao Sismmac, caso o movimento fosse iniciado, além do desconto dos salários dos servidores que aderirem. A decisão aponta que não houve esgotamento das negociações, nem garantia de percentual mínimo de servidores em atividade. Também aponta que o prazo mínimo de 72 horas para comunicação da greve não foi respeitado. Uma segunda liminar, assinada pelo desembargador Coimbra de Moura, determinou que o Sismuc não iniciasse a paralisação nem impedisse o acesso de servidores e usuários às unidades educacionais. O desembargador prevê multa diária de R$ 20 mil em caso descumprimento. VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Veja mais notícias em g1 Paraná.